Simulador de custos para gestão de riscos de acidentes de trabalho

Marino Luiz Eyerkaufer, Ernani Augusto Bonfante, Lara Fabiana Dallabona, Valkyrie Vieira Fabre

Resumo


Os acidentes de trabalho são recorrentes desde os primórdios. No Brasil, apesar de órgãos reguladores e empresas terem se esforçado em ampliar a segurança nas últimas décadas, as estatísticas são alarmantes e as consequências atingem empresas, funcionários e familiares, além de afetar a economia da nação, atingindo toda a sociedade. A literatura parece unânime quanto aos benefícios da aplicação de recursos em segurança, mas observa-se uma lacuna em relação à composição desses custos – em quê e quanto aplicar – além da mensuração financeira. Assim, o estudo objetiva desenvolver ferramenta de simulação de custos para gestão de risco de acidentes de trabalho. Trata-se de pesquisa descritiva, qualitativa e que apresenta um modelo inédito na literatura, que traz contribuições singulares à gestão de risco de acidente de trabalho, com base na metodologia de gerenciamento de riscos e desastres adotada pela Proteção e Defesa Civil no Brasil e no mundo, compreendendo as fases antes, durante e depois dos desastres. Utilizam-se elementos de custos, com proposta de nova classificação a ser empregada na gestão de riscos de acidente de trabalho. Culmina em um simulador de custos que permite ao gestor equilibrar suas finanças em cada fase do ciclo de gestão proposto. O modelo foi validado em estudo de caso real, concluindo-se que os custos das fases de prevenção, mitigação e preparação são melhores que os de resposta e recuperação, pois trata-se de dor e vida poupadas, além de recursos financeiros. O modelo permite generalização, já que os elementos de custos podem ser adaptados a diferentes ramos de atividade. A proposta é utilizar a nova classificação dos custos para gerenciamento dos riscos de acidente de trabalho, com base no simulador modelo apresentado.

Palavras-chave


Gerenciamento de riscos; Riscos de trabalho; Gestão de custos; Acidentes de trabalho; Simulador de custos.

Texto completo:

PDF PDF (English)

Referências


Araújo, R. P., Santos, N., & Mafra, W. J. (2006). Gestão da saúde e segurança do trabalho. Anais do Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 3.

Associação Brasileira de Normas Técnicas. (2001). Cadastro de acidente do trabalho: procedimento e classificação. NBR 14280/2001. Rio de Janeiro: ABNT.

Benite, A. G. (2004). Sistema de gestão da segurança e saúde no trabalho para empresas construtoras. 236 f. Dissertação de Mestrado em Engenharia, Universidade de São Paulo, SP, Brasil.

Bergamini, C. W. (1997). Motivação nas organizações. São Paulo: Atlas.

Bonfante, E. A., Eyerkauser, M. L., & Dallabona, L. F. (2017). Gestão dos riscos de conformidade em segurança do trabalho. Anais do Congresso Brasileiro de Redução de Riscos e Desastres. Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2.

Centro Universitário de Estudos e Pesquisas Sobre Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina. (2014). Gestão de recursos federais de Defesa Civil (2a ed.). Florianópolis: CEPED/UFSC.

Ching, H. I. (2011). Contribuição das boas práticas do mercado para a eficiência na gestão do risco corporativo. Revista Brasileira de Estratégia, 4(3), 257-273.

Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission. (2007). Gerenciamento de riscos corporativos– estrutura integrada.1-141. Recuperado em 18 dezembro, 2018, de: http://www.coso.org/documents/COSO_ERM_ExecutiveSummary_Portuguese.pdf

Dalvesco, D. G., Fernandes, F. C., & Roncon, A. (2014). Controles de gestão atrelados ao gerenciamento de risco: uma análise das produções científicas brasileiras sob a perspectiva de redes sociais. Revista hispana para el análisis de redes sociales, 25(2), 163-185.

Eyerkaufer, M. E. (2017). Modelo de referência organizacional estratégico para coordenação local da gestão dos riscos e desastres. 178 p. Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

Fabre, V. V. & Eyerkaufer, M. E. (2018). Disclosure voluntário na governança de gestão de riscos e desastres: um instrumento de pesquisa. Revista Livre de Sustentabilidade e Empreendedorismo, 3(2), 149-169.

Ferreira, M. M., Souza, C. E. S., Ribeiro, C. A., Galdino, D. B., & Ricci, G. L. (2012). Avaliação sobre a prevenção de riscos na atividade de trabalho em prensas. Iberoamerican Journal of Industrial Engeneering, 4(8), 48-68.

Franz, L. (2006). Estudo comparativo dos custos de prevenção e os custos dos acidentes de trabalho na construção civil. 60 f. Monografia de Graduação em Ciências Contábeis, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

Hämäläinen, P., Saarela, K. L., & Takala, J. (2009). Global trend according to estimated number of occupation al accidents and fatal work related diseases at region and country level. Journal of Safety Research, 40(2), 125-139. doi: 10.1016/j.jsr.2008.12.010.

Iwamoto, H. H., Camargo, F. C., Tavares, L. C., & Miranzi, S. S. C. (2011). Acidentes de trabalho fatais e a qualidade das informações de seus registros em Uberaba, em Minas Gerais e no Brasil, 1997 a 2006. Rev. Brasileira de Saúde Ocupacional, 36(124), 208-215. doi: 10.1590/S0303-79572011000200004.

Lapolli, A. V. (2013). O plano diretor e o plano de gerenciamento de enchentes do município de Rio do Sul – SC: a construção de um território seguro? 208f. Dissertação de Mestrado em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental, Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

Lima, F. (2003). Os Custos dos Acidentes de Trabalho nas Empresas de Construção. Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa e CEGIST. Recuperado em 18 dezembro, 2018, de: https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/downloadFile/1970943312291338/2003_Acidentes-de-Trabalho_WP_CEG-IST_

Liu, H., Hwang, S., & Liu, T. (2009). Economic assessment of human errors in manufacturing environment. Safety Science, 47, 170-182. doi: 10.1016/j.ssci.2008.04.006

Lopes, J, N, P., Queiroz, R. P., & Leonardi, F. (2010). A relação entre os custos segurado e custo não segurado dos acidentes de trabalho. Anais do Encontro Nacional de Engenharia de Produção, São Carlos, SP, Brasil, 30.

Maia, A. L. S. (2015). Acidentes de trabalho no Brasil em 2013: comparação entre dados selecionados da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE (PNS) e do Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS) do Ministério da Previdência Social. Recuperado em 17 dezembro, 2018, de www.fundacentro.gov.br/arquivos/projetos/estatistica/boletins/boletimfundacentro1vfinal.pdf

Martins, E. (2010). Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas.

Melo, M. B. F. V., Castro, I. S., & Regis, T. K. O. (2008). Segurança e saúde na atividade laboral: uma contribuição para a qualidade de vida da comunidade - relato de uma experiência. Anais do Encontro Nacional de Engenharia de Produção, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 17.

Ministério da Saúde. (2014). Inquérito sobre Atendimentos por Violências e Acidentes em Serviços Sentinela de Urgência e Emergência do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA)-Capitais, Distrito Federal e municípios selecionados. Brasília, DF.

Office of U.S. Foreign Disaster Assistance. (2011). Bases Administrativas para gestão de riscos – BAGER: Material de Referência. (A. V. Lapolli & A. F. Pinheiro, Tad. e adapt ). Costa Rica: USAID/OFDA/LAC.

Pastore, J. (2011). O custo dos acidentes e doenças do trabalho no Brasil. Recuperado em 17 dezembro, 2018, de http://www.josepastore.com.br/artigos/rt/rt_320.htm

Parente, P. H. N., Luca, M. M. M., & Vasconcelos, A. C. (2015). Teoria contingencial e intangibilidade: um estudo nas empresas listadas na BM&F Bovespa. Revista Enfoque Contábil, Maringá, 34(3), 21-40. doi: 10.4025/enfoque.v34i3.29568.

Piza, F. T. (2000). Prevenção é sinônimo de lucro. São Paulo: Revista CIPA.

Portal do Brasil. (2014). Ministério divulga análises de acidentes de trabalho. Recuperado em 17 dezembro, 2018, de: http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2014/12/ministerio-divulga-analises-de-acidentes-de-trabalho

Project Management Body of Knowledge.(2012). A Guide to the Project Management Body of Knowledge, PMI.

Ramos, D. G. G., Arezes, P. M., & Afonso, P. (2014). Economic analysis of occupation al risk prevention: A case study in a textile company. In R. D. J. M. Steenbergen, P. H. A. J. M. van Gelder, S. Miraglia, A. C. W. M. Vrouwenvelde (Eds.). Safety, Reliability and Risk Analysis: Beyond the Horizon (Chap. 5, pp. 1473-1478). London: Taylor & Francis Group.

Revista Proteção (2016). Anuário brasileiro de proteção 2015. Recuperado em 17 dezembro, 2018, de http://www.protecao.com.br/materias/A5jy.

Santana, V. S., Araújo, J. B., Albuquerque, P. O., & Barbosa, A. B. (2006). Acidentes de trabalho: custos previdenciários e dias de trabalho perdidos. Revista Saúde Pública, 40(6), 1004-1012. doi: 10.1590/S0034-89102006000700007.

Silva, F. P. & Mendonça, T. M. (2012). Segurança do Trabalho: um estudo em uma empresa da construção civil na cidade de Maceió. Anais do Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. Maceió, AL, Brasil, 9.

Soares, J. F. S. (2012). Incidência cumulativa anual de acidentes de trabalho não fatais, estimativas nacionais para o Brasil. 108f. Tese de Doutorado em Saúde Pública, Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, Brasil.

Takala, J., Hämäläinen, P., Saarela, K.L., Yun, L.Y., Manickam, K., Jin, T.W., Heng, P. Tjong, C., Kheng, L. G., Lim, S., & Lin, G. S. (2014). Global estimates of the burden of in jury and illness at work in 2012. Journal of Occupation al and Environmental Hygiene,11(5), p. 236-337. doi: 10.1080/15459624.2013.86313

Tavares, F., Pacheco, L., & Pires, M. (2016). Gestão do risco nas PME de Excelência portuguesas. Tourism e Management Studies, 12(2),135-144. doi: 0.18089/tms.2016.12215

United Nations International Strategy for Disaster Reduction. (2009). Terminología sobre Reducción del Riesgo de Desastres. Recuperado em 18 dezembro, 2018, de: www.unisdr.org/files/7817_UNISDRTermonologySpanish.pdf

Vianna, J. S. & Santos, N. T. (1976). Manual de prevenção de acidentes. Rio de Janeiro: Freitas Bastos.




DOI: http://dx.doi.org/10.16930/2237-766220192753

Revista Catarinense da Ciência Contábil, Florianópolis, SC, Brasil. ISSN: 2237-7662


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional