Payout incremental e o modelo de três fatores de Fama e French

Kliver Lamarthine Alves Confessor, Joséte Florencio dos Santos

Resumo


Este artigo buscou investigar se o modelo adaptado de Fama e French com a inclusão do fator Payout (F&F com Payout) permitiria melhor compreensão dos retornos das carteiras de companhias listadas na Brasil, Bolsa, Balcão entre o período de 2004 e 2018 do que o modelo de três fatores de Fama e French. O prêmio pelo fator Payout obtido pela diferença dos retornos entre as companhias que pagaram e aquelas que não pagaram Payout Incremental. Dessa forma, o modelo de quatro fatores é definido pela adição deste fator aos fatores prêmio pelo risco de mercado (RM-RF), prêmio pelo fator tamanho da companhia (SMB), definido pelo valor de mercado do patrimônio líquido, e o prêmio pelo fator Book-to-market (HML), que é um índice definido pela relação valor contábil e valor de mercado do patrimônio líquido. Esse modelo de quatro fatores teve seu poder explicativo testado pelo retorno de doze carteiras criadas a partir da ortogonalização de seus fatores de risco. Os resultados sugerem que o modelo de quatro fatores foi mais eficiente do que o modelo de três fatores em explicar o retorno de oito das carteiras formuladas, com destaque para uma capacidade explicativa de mais de 70% para as carteiras de menor valor (small) que não pagam dividendos e que pagam dividendos incrementais. Portanto assume um papel relevante para as decisões de investimentos em carteiras de ações que possuem distribuição de dividendos extremas. Além disso, o fator Payout foi significativo em nove das doze carteiras. Nas carteiras em que não houve pagamento de dividendos, seu impacto foi negativo, implicando dizer que quanto maior o retorno destas carteiras, menor é a probabilidade de existir um prêmio pelo fator Payout. Por sua vez, para as carteiras que pagaram dividendos mínimos e incrementais, existe relação direta com o retorno das carteias. Isto posto, esta pesquisa corrobora com as teorias da relevância dos dividendos de Lintner (1956) e Gordon (1959), na medida em que o modelo desenvolvido é relevante para os estudos de avaliação de portfólios.

Palavras-chave


Avaliação de Portfólio; Formação de Carteiras; Modelo de Três Fatores de Fama e French; Payout Incremental; Dividendos.

Texto completo:

PDF PDF (English) EPUB

Referências


Almeida, L. A. G., Pereira, E. T., & Tavares, F. O. (2015). Determinantes da política de dividendos: evidência de Portugal. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, 17(54), 701-719.

Azevedo, V. G. (2014). Análise do impacto da inclusão do Fator Sustentabilidade Empresarial no Modelo de Três Fatores De Fama E French nas empresas negociadas na BM&FBOVESPA – um estudo empírico entre o período de 2006 e 2013. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

Baker, H. K., & Powell, G. E. (1999). How corporate managers view dividend policy. Quarterly Journal of Business and Economics, 17-35.

Baker, H. K., Farrelly, G. E., & Edelman, R. B. (1985). Survey of Management Views on Dividend Policy. Financial Management, 14(14), 78-84.

Carhart, M. M. (1997). On Persistence in Mutual Fund Performance. The Journal of Finance, 52(1), 57-81.

De Melo, F. J, & Da Fonseca, M. W. (2015). Política de dividendos no Brasil: uma análise na reação do mercado a anúncios de distribuição de proventos. Revista Contemporânea de Contabilidade, 12(27), 137-164.

Decourt, R. F., & Procianoy, J. L. (2012). O Processo Decisório sobre a Distribuição de Lucros das Empresas Listadas na BM&FBOVESPA: Survey com CFOs. Revista Brasileira de Finanças, 10(4), 461-498.

Fama, E. F., & French, K. R. (1992). The cross-section of expected stock returns. The Journal of Finance, 47(2), 427-465.

Galvão, K. S, Santos, J. F., & Araújo, J. M. (2018). Dividendos, juros sobre capital próprio e níveis de payout: Um estudo investigativo sobre a política de distribuição de dividendos adotada pelas empresas listadas na BM&FBovespa. Revista Contemporânea de Contabilidade, 15(36), 3-30.

Gordon, M. (1959). Dividends, earnings and stock prices. The Review of Economics and Statistics, 41(2), 99-105.

Gordon, M. (1963). Optimal Investment and Financing Policy. The Journal of Finance, 28(2)264-272.

GUJARATI, D. N. Econometria básica. 4a. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006

Joode, N. V. W. (2011). The relationship between innovation and stock returns Does innovation explain stock market returns? 2011. 54 f. Dissertação de Mestrado, Departamento de Finanças da Faculdade de Economia e Administração, Tilburg University, Holanda.

Lagioia, U. C. T., Maciel, C. V., & Libonati, J. J. (2008). Aspectos pagamento de juros sobre o capital próprio x distribuição de dividendos pela óptica tributária. Anais do Congresso Brasileiro de Contabilidade, Gramado, RS, Brasil, 18.

Leite, M, Bogoni, N. M., & Hein, N. (2019). Revisitando os determinantes da distribuição de dividendos: uma análise em empresas brasileiras. Revista Ambiente Contábil, 11(1) 58-76.

Lintner, J. (1956). Distribution of incomes of corporations among dividends, retained earnings and taxes. American Economic Review, 46(2), 97-113.

Lintner, J. (1962). Dividends, earnings, leverage, stock prices and the supply of capital to corporations. The Review Economics and Statistics, 44(3), 243-269.

Loss, L., & Sarlo Neto, A. (2006). O inter-relacionamento entre políticas de dividendos e de investimentos: estudo aplicado às companhias brasileiras negociadas na Bovespa. Revista Contabilidade & Finanças, 17(40), 52-66.

Malaga, F. K., & Securato, J. R. (2004). Aplicação do modelo de três fatores de Fama e French no mercado acionário brasileiro: um estudo empírico no período 1995-2003. Anais do Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, Curitiba, PR, Brasil, 28 de setembro de 2004.

Martins, A. I., & Fama, Rubens. (2012). What the studies conducted in Brazil regarding dividend policy reveal? RAE, 52(1), 24-40.

Miller, M., & Modigliani, F. (1961). Dividend policy, growth, and the valuation of share. Journal of Business, 40(4) 411-433.

Mussa, A., Rogers, P., & Securato, J. R. (2009). Modelos de retornos esperados no mercado brasileiro: testes empíricos utilizando metodologia preditiva. Revista de Ciências da Administração, 11(23), 192-216.

Neves, M. B. E., & Leal, R. P. C. (2003). Anomalias no Mercado de Ações e o Crescimento do PIB Brasileiro. Cadernos Discentes COPPEAD, 54(18), 5-31.

Ross, S. (1976). An Arbitrage Theory of Capital Asset Pricing. Journal of Economic Theory, 13(3), 341-360.

Santana, L. (2006). Relação entre Dividend Yield e retorno das ações abordando aspectos determinantes da política de dividendos: um estudo empírico em empresas ações negociadas na BOVESPA. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis, Fundação Instituto Capixaba de Pesquisa em Contabilidade, Economia e Finanças (FUCAPE), Vitória.

Santos, J. O., Famá, R., & Mussa, A. (2012). A adição do fator de risco momento ao modelo de precificação de ativos dos três fatores de Fama & French aplicado ao mercado acionário brasileiro. Revista de Gestão REGE, 19(3), 453-472.

Veiga, A. Z., Imbrosio, D. A., & Ferreira, L. F. (2008). Remuneração aos acionistas e os reflexos tributários no resultado da empresa: um estudo de caso em uma instituição financeira. Revista Catarinense da Ciência Contábil, 7(19), 17-32.

Vieira, M. D. V., Maia, V. M., Klotzle, M. C., & Figueiredo, A. C. (2017). Modelo de Cinco Fatores de Risco: Precificando Carteiras Setoriais no Mercado Acionário Brasileiro. Revista Catarinense da Ciência Contábil, 16(48), 86-104.

Xiao, Y., Faff, R., Gharghori, P., & Lee, D. (2013). An empirical study of the world price of sustainability. Journal of Business Ethics, 114(2), 297-310.




DOI: http://dx.doi.org/10.16930/2237-766220202906

Revista Catarinense da Ciência Contábil, Florianópolis, SC, Brasil. ISSN: 2237-7662


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional