Governança Corporativa e desempenhos das ações de empresas do setor comercial em ambiente de crise econômica

Wiliel Florencio, Fabiano Ferreira Batista, Cristiane Queiroz Reis

Resumo


Em tempos de crise, empresas com sólida Governança Corporativa (GC) tendem a passar maior credibilidade e por isso enfrentam barreiras mais brandas no mercado de capitais. Desse modo, este estudo teve como objetivo analisar a relação da GC com o desempenho das ações, em períodos com e sem crise. Consideraram-se, para tanto, as empresas do setor comercial listadas na B3, com ações negociadas no período de 2015/2016 (com crise) e 2017/2018 (sem crise), resultando em uma amostra de 20 empresas, totalizando 319 observações. As empresas foram agrupadas por participação ou não em segmento diferenciado de GC (N1, N2 e NM) da B3 e analisadas por meio de estatística descritiva e regressão com dados em painel. Os resultados da estatística descritiva apontam que, em média, as ações das empresas do setor de comércio listadas na B3 “Com-GC” apresentaram melhores desempenhos do que aquelas “Sem-GC”, resultado, provavelmente, da maior transparência das informações prestadas, do tratamento equitativo dos investidores e das medidas de monitoramento dos agentes exigidas pelas práticas de GC. Com relação ao modelo estimado, observou-se significância estatística e sinal positivo para as variáveis independentes lucro por ação (LPA) e a participação dos níveis diferenciados de governança corporativa (1% e 5% respectivamente). Já a variável que capta a crise econômica não se mostrou significante, não se podendo inferir que as práticas de GC são capazes de mitigar os efeitos negativos de crises econômicas no desempenho das ações.

Palavras-chave


Governança corporativa; Desempenho das ações; Crise econômica; Setor de Comercio

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DOI: http://dx.doi.org/10.16930/2237-766220202977

Revista Catarinense da Ciência Contábil, Florianópolis, SC, Brasil. ISSN: 2237-7662


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