A responsabilidade social corporativa afeta a agressividade fiscal das firmas? Evidências do mercado acionário brasileiro

Larissa Queiroz de Melo, Gabriela Silva de Castro Moraes, Rafael Morais de Souza, Eduardo Mendes Nascimento

Resumo


Esta pesquisa analisa os efeitos das dimensões da responsabilidade social corporativa (RSC) sobre o nível de agressividade fiscal das companhias brasileiras de capital aberto. Para tanto, identificou-se o desempenho em relação à RSC das empresas a partir das dimensões ambiental, social e de governança. Após isso, foi empregada uma variável agregada que representa a média geral das companhias em todas as dimensões. A agressividade fiscal foi mensurada a partir do cálculo da taxa de imposto efetiva (effective tax rate – ETR). O período de análise compreendeu os anos de 2010 a 2018 e os modelos analisados foram operacionalizados a partir de regressões múltiplas de dados em painel com estimação por mínimos quadrados generalizados factíveis (FGLS). Os resultados revelam relação significativa entre RSC e agressividade fiscal, indicando que adotar mais ou melhores práticas de RSC, independentemente de sua dimensão, acarreta menor nível de agressividade fiscal para as empresas analisadas na amostra. No geral, os achados encontrados reforçam a noção de que a RSC pode afetar as decisões organizacionais.

Palavras-chave


Agressividade fiscal; Responsabilidade Social Corporativa; Effective Tax Rate.

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DOI: http://dx.doi.org/10.16930/2237-766220203019

Revista Catarinense da Ciência Contábil, Florianópolis, SC, Brasil. ISSN: 2237-7662


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