Estágios do ciclo de vida organizacional e risco sistemático
evidências no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.16930/2237-766220263569Palavras-chave:
Ciclo de vida organizacional, Risco de mercado, Beta, CAPMResumo
Este estudo examina como o risco sistemático varia entre os estágios do ciclo de vida das empresas brasileiras de capital aberto com ações negociadas na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão). Para classificar as empresas nos diferentes estágios do ciclo de vida da firma (ECVF), empregou-se o modelo de Dickinson (2011). O risco de mercado (ou sistemático), representado pelo beta ( ) do modelo de precificação de ativos financeiros (CAPM), foi avaliado em uma amostra composta por 276 empresas, totalizando 5.416 observações, entre o 1º trimestre de 2010 e o 4º trimestre de 2022, abrangendo um período de 52 trimestres. Por meio de modelos de regressão linear estimados pelos mínimos quadrados ordinários (MQO), os resultados indicam que as empresas nos estágios de crescimento e maturidade tendem a apresentar menor risco de mercado, enquanto aquelas nos estágios de nascimento, turbulência e declínio apresentam maior nível de risco. Esses achados sugerem que o relacionamento entre o risco sistemático e os ECVF segue um formato em “U”. As evidências apresentadas são relevantes, pois permitem que investidores e analistas considerem o ECVF na avaliação das empresas, ao mesmo tempo que oferecem aos gestores insights para avaliar os riscos associados a cada estágio do ciclo de vida organizacional.
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