Precificação de ativos: análise do fator book-to-market após o deemed cost

Octávio Valente Campos, Ana Carolina Vasconcelos Colares, Renata Turola Takamatsu, José Roberto de Souza Francisco

Resumo


A determinação do custo de capital próprio é um assunto extensivamente pesquisado e discutido em finanças, possibilitando o desenvolvimento de novos estudos correlatos. No mercado brasileiro, Noda, Martelanc e Kayo (2016) obtiveram resultados discordantes dos encontrados por Fama e French (1995, 1996), indicando que tais divergências podem ser explicadas pela elevada taxa de inflação. Assim, esta pesquisa busca analisar se após o deemed cost - como meio de dirimir os efeitos da inflação - os retornos obtidos pelas carteiras construídas com base no índice book-to-market (PL/VM) são estatisticamente diferentes dos observados pelo Capital Asset Pricing Model (CAPM) e pelo indicador lucro/preço (L/P). Por meio dos resultados foi possível concluir que o índice L/P não se apresentou como mais efetivo para reconhecer ações “baratas” ou “de valor”, frente ao índice book-to-market. Estes resultados são divergentes dos encontrados por Noda et al. (2016) e coincidem com os resultados encontrados por Fama e French (1995, 1996), evidenciando que o modelo tradicional de três fatores explica os retornos das carteiras construídas com base no book-to-market. Isso posto, pode-se indicar que a alta inflação histórica do mercado brasileiro, em específico para as firmas cujos ativos são mais antigos, faz com que as informações contábeis das entidades sejam menos significativas. Contudo, mensurações como as realizadas pelo deemed cost podem suavizar o impacto da inflação, concedendo maior representatividade para as informações contábeis, evidenciado assim, que práticas como o custo atribuído exercem influência nas expectativas dos usuários, conforme também verificado por Demaria e Dufour (2007) e Cerqueira, Rezende, Dalmácio e Silva (2013).

Palavras-chave


CAPM; Modelos multifatoriais; Book-to-market; Custo atribuído (deemed cost)

Texto completo:

PDF PDF (English) EPUB

Referências


Aggarwal, R., Hiraki, T., & Rao, R. P. (1992). Price/book value ratios and equity returns on the Tokyo Stock Exchange: Empirical evidence of an anomalous regularity. Financial Review, 27(4), 589-605.

Barry, C. B., Goldreyer, E., Lockwood, L., & Rodriguez, M. (2002). Robustness of size and value effects in emerging equity markets, 1985–2000. Emerging Markets Review, 3(1), 1-30.

Carhart, M. M. (1997). On persistence in mutual fund performance. The Journal of finance, 52(1), 57-82.

Cerqueira, D. A. C., Rezende, A. J., Dalmácio, F. Z., & Silva, J. M. da (2013). O impacto do reconhecimento do custo atribuído e da divulgação de impairment de ativos tangíveis e intangíveis (IFRS) sobre os preços e os retornos das ações das companhias brasileiras. Revista de Contabilidade do Mestrado em Ciências Contábeis da UERJ, 17(3), 5-23.

Chan, L. K., Hamao, Y., & Lakonishok, J. (1991). Fundamentals and stock returns in Japan. The Journal of Finance, 46(5), 1739-1764.

Claessens, S., Dasgupta, S., & Glen, J. (1998). The cross section of stock returns: Evidence from emerging markets. Emerging Markets, Quarterly, 2, 4-13.

Comitê de Pronunciamentos Contábeis. (2009). Interpretação Técnica ICPC 10: Interpretação sobre a Aplicação Inicial ao Ativo Imobilizado e à Propriedade para Investimento dos Pronunciamentos Técnicos CPCs 27, 28, 37 e 43. Brasília, dez.

Comitê de Pronunciamentos Contábeis. (2009). CPC 37: adoção inicial das Normas Internacionais de Contabilidade. Brasília, dez.

Comitê de Pronunciamentos Contábeis. (2010). CPC 43: Adoção Inicial dos Pronunciamentos Técnicos CPCs 15 a 41. Brasília, dez.

Cormier, D., Demaria, D., Lapointe-Antunes, P., & Teller, R. (2009). First-Time Adoption of IFRS, Managerial Incentives and Value- Relevance: Some French Evidence. Journal of International Accounting Research, American Accounting Association, 8(2), 1-22.

Costa, F. M., & Freitas, K. C. (2014). Escolhas contábeis na adoção inicial das normas internacionais de contabilidade no Brasil: direcionadores da aplicação do custo atribuído para ativos imobilizados. Revista Contabilidade Vista & Revista, 25(3), 38-56.

Costa Jr., N., & Neves, M. B. (2000). Variáveis fundamentalistas e os retornos das ações. Revista Brasileira de Economia, 54(1), 123-137.

Demaria, S., & Dufour, D. (2007). First time adoption of IFRS, Fair value option, Conservatism: Evidences from French listed companies. In 30 ème colloque de l'EAA (p. 24p).

Fama, E. F., & French, K. R. (1992). The cross‐section of expected stock returns. The Journal of Finance, 47(2), 427-465.

Fama, E. F., & French, K. R. (1993). Common risk factors in the returns on stocks and bonds. Journal of financial economics, 33(1), 3-56.

Fama, E. F., & French, K. R. (1995). Size and book‐to‐market factors in earnings and returns. The journal of finance, 50(1), 131-155.

Fama, E. F., & French, K. R (1996). Multifactor explanations of asset pricing anomalies. Journal of Finance, 51(1), 55-84.

Fama, E. F., & French, K. R. (2004). The capital asset pricing model: Theory and evidence. The Journal of Economic Perspectives, 18(3), 25-46.

Fama, E. F., & French, K. R. (2012). Size, value, and momentum in international stock returns. Journal of financial economics, 105(3), 457-472.

Fama, E. F., & Macbeth, J. D. (1973). Risk, return, and equilibrium: Empirical tests. Journal of political economy, 81(3), 607-636.

Gebhardt, W. R., Lee, C., Swaminathan, B. (2001). Toward an implied cost of capital. Journal of accounting research, 39(1), 135-176.

Girard, E., & Omran, M. (2007). What are the risks when investing in thin emerging equity markets: Evidence from the Arab world. Journal of International Financial Markets, 17(1), 102-123.

Jensen, M. C. (1968). The performance of mutual funds in the period 1945-1964. The Journal of finance, 23(2), 389-416.

Levy, M., & Roll, R. (2010). The market portfolio may be mean/variance efficient after all. Review of Financial Studies, 23(6), 2464-2491.

Lintner, J. (1965). Security prices, risk, and maximal gains from diversification. The journal of finance, 20(4), 587-615.

Lyn, E. O., & Zychowicz, E. J. (2004). Predicting stock returns in the developing markets of Eastern Europe. The Journal of investing, 13(2), 63-71.

Markowitz, Harry. (1952). Portfolio selection. The journal of finance, 7(1), 77-91.

Mussa, A., Trovao, R., Santos, J. O., & Famá, R. (2007). A estratégia de momento de Jegadeesh e Titman e suas implicações para a hipótese de eficiência do mercado acionário brasileiro. Seminários em Administração, 10, 2007.

Mussa, A., Rogers, P., & Securato, J. R. (2009). Modelos de retornos esperados no mercado brasileiro: testes empíricos utilizando metodologia preditiva. Revista de Ciências da Administração, 11(23), 192.

Noda, R. F., Martelanc, R., & Kayo, E. K. (2016). O fator de risco lucro/preço em modelos de precificação de ativos financeiros. Revista Contabilidade & Finanças, 27(70), 67-79.

Sharpe, William F. (1964). Capital asset prices: A theory of market equilibrium under conditions of risk. The journal of finance, 19(3), 425-442.

Stattman, D. (1980). Book values and stock returns. The Chicago MBA: A journal of selected papers, 4(1), 25-45.

Takamatsu, R. T., & Fávero, L. P. L. (2013). Accruals, persistence of profits and stock returns in Brazilian public companies. Modern Economy, 4(02), 109.

Yoshino, J. A., & Santos, E. B. (2009). Is the CAPM Dead or Alive in the Brazilian Market? Review of Applied Economics, 5(1-2).

Wang, F., & Xu, Y. (2004). What determines Chinese stock returns? Financial Analysts Journal, 6(6), 65-77.




DOI: http://dx.doi.org/10.16930/2237-766220192781

Revista Catarinense da Ciência Contábil, Florianópolis, SC, Brasil. ISSN: 2237-7662


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional